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sábado, 20 de abril de 2013

Coleção: As Cronicas de Nárnia de C. S. Lewis



Livro Volúme Unico.


Uma terra cheia de encantos e perigos. Um lugar mágico e distante. Através de mundos e dimensões... Nárnia. Será mesmo real ou só mais uma ilusão?


Com sete livros, As Crônicas de Nárnia do titio Lewis é um fenômeno mundial que já conta com três adaptações cinematográficas. 


O problema é que os filmes só seguem as aventuras dos quatro irmãos (Lucia, Susana, Edmundo e Pedro). E embora sejam bastante fies as historias originais deixam muitas duvidas e pontas soltas. Coisa que quase não acontece nos livros.


Pra começar o primeiro livro (em ordem de leitura), ao contrario do que muitos pensam se chama “O Sobrinho do Mago” e conta como Digory (tio das crianças em O Leão a Feiticeira e o Guarda-Roupa) junto com sua amiga Polly descobrem anéis que transportam a uma dimensão mágica com vário lagos cada um levando a uma terra diferente.


Box com os sete livros.
É justamente nesse livro que se conta como Nárnia surgiu, como a Feiticeira chegou até lá e porque o Guarda-Roupa transportam as crianças.


Entre as historias de Lucia, Susana, Edmundo e Pedro existem ainda outras historias contanto um pouquinho da época que eles foram Reis e Rainhas e o que aconteceu depois que eles voltaram para o mundo “real”.


Conta com desenhos, mapas, uma planta fantástica do Peregrino da Alvorada, cenários e personagens detalhados e um final surpreendente. Me fez virar varias madrugadas no meio da semana. É impossível parar de ler. 



Se é real ou ilusão eu não sei mais, tudo o que sei que essa obra prima te transporta para as terras de Nárnia da maneira mais perfeita e real que existem. Essa meus caros Aprendizes é a mágica de C. S. Lewis.


 
Uma das versões das capas dos livros. (não estão em ordem)
Ordem Cronológica de Leitura dos Livros:

1 - O sobrinho do mago
2 - O Leão, a feiticeira e o guarda-roupas
3 - O cavalo e seu menino
4 - Príncipe Caspian
5 - A viagem do Peregrino da Alvorada
6 - A cadeira de prata
7 - A última batalha


Ordem Cronológica de Publicação dos Livros:
1950 O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa
1951 Príncipe Caspian
1952 A Viagem do Peregrino da Alvorada
1953 A Cadeira de Prata
1954 O Cavalo e seu Menino
1955 O Sobrinho do Mago
1956 A Última Batalha

Não gosto de dar spoiler, mas quem quiser saber mais sobre a historia de cada livro pode acessar esse site.

Ass.: A Devoradora De Livros

domingo, 14 de abril de 2013

Nascer - Carlos Drummond de Andrade

Alguns dias atrás eu peguei na biblioteca da escola um livro do titio Drummond intitulado "70 Historinhas" dentre varias delas essa foi uma das quais mais me emocionaram e por isso me senti no dever de compartilhar com vocês. 

Sei que pode parecer grande, mas realmente vale a pena ler.

Nascer

O filho já tinha nome, enxoval, brinquedo e destino traçado. Era João, como o pai, e como aconselhavam a devoção e a pobreza. Enxoval e brinquedo de pobre, comprados com a antecedência que caracteriza não os previdentes, mas os sonhadores. E destino, para não dizer profissão, era o de pedreiro, curial ambição do pai, que, embora na casa dos 30, trabalhava ainda de servente.


Tudo isso o menino tinha, mas não havia nascido. Eles nascem antes, nascem no momento em que se anunciam, quando há realmente desejo de que venham ao mundo. O parto apenas dá forma a uma realidade que já funcionava. Para João mais velho, João mais moço era uma companhia tão patente quanto os colegas da obra, e muito mais ainda, pois quando se separavam ao toque da sineta, os colegas deixavam por assim dizer de existir; cada um se afundava na sua insignificância, ao passo que o menino ia escondido naquele trem do Realengo, e eram longas conversas entre João e João, e João miúdo adquiria ainda maior consistência ao chegarem em casa, quando a mãe, trazendo-o no ventre, contudo o esperava e recebia das mãos do pai, que de madrugada o levara para a obra.



Carlos Drummond de Andrade

 Estas imaginações, ditas assim parecem sutis; não havia sutileza alguma em João e sua mulher: Nem o casal percebia bem que o garoto rodava entre os dois como um ser vivo; pensavam simplesmente nele, muito, e confiados, e de tanto ser pensado João existiu, sorriu, brincou na simplicidade de ambos. Como alguém que, na certeza de um grande negócio, vai pedindo emprestado e gastando tranqüilamente, João e a mulher sacavam alegrias futuras. João sentia-se forte, responsável. Escolhera o sexo e a profissão do filho; a mulher escolhera a Cor; um moreno claro, cabelo bem liso, olhos sinceros. Não havia nada de extraordinário no menino, era apenas a soma dos dois passada a limpo, com capricho.  

Esperar tantos meses foi fácil. O menino já tomava muita parte na vida deles, nascer era mais uma formalidade. Chegou março, com um tempo feio à noite, que ameaçava carregar o barraco. A mulher de João acordou assustada, sentindo dores. Pela madrugada, correram à estação; a chuva passara, mas o trem de Campo Grande não chegava, e João sem poder mexer-se. As dores continuavam, João levou tempo para pegar uma carona de caminhão.

Na maternidade não havia médico nem enfermeira que o temporal tinha retido longe. João perdera o dia de serviço e esperou determinado. Afinal, levaram a mulher para uma sala onde cinco outras gemiam e faziam força. João não viu mais nada, ficou banzando no corredor. Entardecia, quando a porta se abriu e a enfermeira lhe disse que o parto fora complicado, mas agora tudo estava em ordem, a criança na incubadora. "Posso ver?" "Depois o senhor vê. Amanhã." Amanhã era dia de pagamento, não podia faltar à obra. Voltaria domingo. Mas no dia seguinte, à hora do almoço, telefonou uma complicação, não se ouvia nada, alguém da secretaria foi indagar! Respondeu que tudo ia bem, ficasse descansado.


Domingo pela manhã, João se preparava para sai; Quando a ambulância silvou à porta, e dela desceu, amparada, a mulher de João. "O menino?" "Diz que morreu na incubadora, João." "E era mesmo como a gente pensava moreninho, engraçado?" Ela baixou a cabeça. "Não sei João. Não vi. Eu estava passando mal, eles não me mostraram".


E o menino, que tinha sido tanto tempo, deixou de repente de ser


Ass.: A Devoradora De Livros